Realizou-se no dia 8 de Novembro um interessante debate e colóquio sobre o sector da Agricultura em Portugal, em particular no Oeste.
Esta iniciativa decorreu durante aquela que devia ser uma assembleia distrital partidária do PSD, convocada com ordem de trabalhos específica (que não se realizou) e nos órgãos próprios e oficiais do partido e por carta aos delegados eleitos para aquele órgão distrital.
Qual não é o meu espanto e dos demais poucos presentes eleitos para aquele órgão, ao chegar ao espaço da Câmara Municipal, para onde foi feita a convocatória política, além de não ter os símbolos do partido, como a bandeira e outros usuais, vemos uma mesa constituída por dois ex-ministros sociais-democratas, pelo edil do Cadaval, onde se realizou a sessão, além do presidente doa jovens agricultores. Vista a constituição protocolar da mesa, que incluía ainda o Presidente da assembleia distrital e da comissão política, verificámos que a sessão se inicia com um filme sobre a revisão do programa do PSD seguindo-se intervenções dos convidados.
È certo que se tinha dado conhecimento da presença de um convidado, Aguiar Branco, no final dos trabalhos do órgão que pretende discutir a política distrital do PSD, mas tudo o resto ninguém divulgou, nem sequer constava naquela hora e instante no próprio site da distrital do Oeste, desse partido que se prepara para ser poder no governo e na região.
O tema da Agricultura e do sector primário em Portugal, é demasiado caro e importante ao Oeste para ser atirado pelo Presidente da Distrital, Duarte Pacheco, para uma segunda-feira fria de Outono (mesmo por questões de agenda), no Cadaval, sem conhecimento dos membros do respectivo órgão eleito. Como se isto não bastasse, estatutariamente os militantes de base e outros interessados no debate não poderiam em situações normais assistir a esta interessante e meritória actividade. Ninguém sabia. Ninguém soube. Com cerca de 30 pessoas, sendo simpático, como se quer tratar e dignificar uma temática primordial para o Oeste? O Presidente dos jovens agricultores fez uma notável apresentação, tal com o Prof. Pedro Lince que foi eloquente, claro, prático e brilhante nas propostas e soluções para o sector.
Por vezes temos que perceber que se erra, e o responsável por este flop organizacional, Duarte Pacheco, devia preparar um grande e amplo debate com agricultores e responsáveis do sector em Torres Vedras, por exemplo. Não podemos só falar dos assuntos nacionais económicos e afins, quando temos temáticas e valências regionais a debater e encontrar caminhos, se para tal estivermos preparados. O PSD é um partido do povo, não devia ser aqui na região de elites do povo ou de interesses. Assim, nem se aproveitou e fez uma Assembleia Distrital, para debater assuntos internos, nem se aproveitou uma enorme oportunidade de desenhar caminhos para agricultura.
Só falo destes assuntos aqui neste meio, primeiro porque o manifestei então, segundo porque merece a verdade e terceiro porque Duarte Pacheco, o nosso deputado do Oeste, há mais de 20 na Assembleia da República, com muitas ausências de defesa dos interesses da agricultura do Oeste, informou unipessoalmente, sem oscultar os delegados e outros órgãos presentes que aquela iniciativa era pública e aberta á sociedade civil. Assim por respeito pelos convidados, todos nós ali presentes, aceitamos fazer o debate que foi transmitido em directo até pela internet, sem o conhecimento prévio dos presentes, por exemplo.
Já o afirmei antes e reitero que o sector primário, que em boa parte foi destruído no tempo do cavaquismo e posteriormente com o guterrismo, tem de ser encarado com naturalidade, precisando de bons recursos humanos e tecnológicos, além de novas técnicas de cultivo e encontrar rumos para vermos campos de cultivo cheios de vitalidade. Igualmente temos de proteger o produto nacional e o sector ter como móbil Menos Estado, Melhor Estado.
Já alguém criou medidas de incentivo ao consumo em cantinas escolares, em cafetarias municipais e outros lugares como a própria cantina da Assembleia da República, de fruta, vinho ou leite português?
Então, o futuro da Agricultura, também passa por nós (pessoas fora da área) e está também nas nossas mãos. Consumir aquilo que a nossa terra dá, que o nosso mar tem, é amar e ajudar o Oeste. E desculpem, mas agora que se fala tanto das invasões francesas, que tanto nos pilharam e roubaram, hoje em pleno século XXI, há outras formas de invasão, mas nós, Oestinos e Portugueses não permitiremos.
O Oeste, merece mesmo, muito Mais e muito Melhor.
* Artigo Publicado hoje no Jornal do Oeste "Badaladas"

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