quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A Política e os seus jantares…

Tudo Come do Mesmo...
Os portugueses andam tristes e resignam-se. Não se revoltam contra o sistema aparelhista e vão numa romaria tonta de obrigação ou compromisso a jantares, banquetes ou mariscadas. Não são poupados e sabem viver com a crise com umas bifanas populares e vão a comícios e grandes festas em hotéis e restaurantes de nome. Os preços variam, mas chegam a andar nos 15 euros e mais para apoiar quem por vezes não apoiou, não comentou, não ajudou, não falou. Alguns sentem-se coagidos a irem com a família, e por vezes só Deus sabe a diferença que faz no seu orçamento 60 ou 75 euros, por exemplo. A omissão é um pecado mortal. Não pensar no próximo também. (Nota: não falo de ninguém em particular e o meu voto está certo.)
Para mim a Politica é na rua, nas praças, nos cafés ou nos comícios em salas de espectáculos públicas, que até no caso das presidenciais têm de ser por lei, garantidas a valores simbólicos.  Não concordo, nem corroboro com esta realidade a que assistimos pacientemente, mas quando os candidatos comem x e o povo y, ainda menos. Falo do ponto de vista técnico de organização de eventos e protocolo, onde as vaidades nestes casos, dos sem vergonha do ora vou por aqui, ora vou por ali, assumem lugares de mesa presidencial até com 78ª damas de companhia, lindas, nocturnas e vistosas e futilidades desinteressantes como certos programas da televisão com altas audiências. Prefiro comer bem e barato em casa ou num lugar-comum, do que comer mal e não conseguir sequer ver e ouvir os candidatos falar das suas novas ideias ou propostas, se existirem. Também já fui a jantares destes, pagando quase sempre o meu, conhecendo os senhores que os obrigam a organizar e a ir. Hoje penso é assim. Tudo muda, só não muda um grande amor. Coelhos à parte, este modelo está esgotado. Está amorfo e mais já não serve para cativar a motivação dos não jobb´s habituais do sistema.
Os partidos e distritais continuam a fazer sem recato ou vergonha, jantares, almoços e comezainas para os compinchas do voto e dos caprichos, com o dinheiro partidário, que vem por sua vez do contribuinte português, através das subvenções que o Estado dá aos paridos políticos. Sei do que falo. Haja decência e já agora mais razão na distribuição. Não se deviam comprar votos ou apoios internos pela boca, mas sim pela ética e pela moral, além claro do exemplo de rectidão, integridade e cidadania. A humildade que se acusam os outros de não ter, começa na nossa própria casa. Se em vez de jantares, que confirmam o que todos nós já suspeitávamos, e os dinheiros das distritais fossem aplicados a explicar valores ou ideologias, ou a fazer formação política e de cidadania, talvez os resultados tivessem sido visíveis e positivos em 2009.
Mas também compreendo, que quem não tem valores elementares, como gerir bem e investir melhor, os escassos recursos financeiros dos partidos a nível Nacional, transferidos para as distritais, como podemos depois ter a lata e decência de apelar aos valores e humildade?! Só se for um decano político!

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